terça-feira, 9 de março de 2010

O destino de uma vida em apuros.


Eram as ultimas gotas de chuva, o sol já estava chegando, e ela nasceu. Todos a sua volta sorriam, o lugar estava cheio de felicidade e amor. Foi crescendo e descobrindo que algumas pessoas são preconceituosas, e outras são pacientes e compreendiam os seus problemas. Ela não sabia direito o que era leucemia quando disseram que a tinha, mas sabia que era algo grave. Isso não a fez perder o controle e ficar depressiva, se estava doente não podia esperar pelo amanhã, por que o amanhã era um dia mais próximo de sua morte. Em sua juventude tinha amigos que a amavam muito, e sempre estavam do seu lado nas sessões de quimioterapia.
Tudo começou quando ela era ainda jovem, e fazia coisas que toda jovem faz, estuda, ajudava em casa, tinha o seu tempo para se divertir e ir em festas. Mas teve o dia em que ela começou a se sentir fraca, e sem estimulação para correr e estudar, não tinha mais disposição para fazer as coisas que fazia, qualquer tarefa que exigia muito esforço era um contratempo para ela. Fez alguns exames, e descobriu que não estava bem, depois disso começou o entra e sai dos hospitais. O que lhe mais mantinha a sua força, era a companhia de sua família e seus amigos. Era difícil para ela ficar em um lugar onde a luz do sol insistia em passar pela janela, sem sentir as estações do ano. Mas apesar disso, ela e todas as outras pessoas acreditavam nela. Acreditavam que ela iria melhorar. Meses e meses a procura de um doador compatível. E enquanto isso, não se deixava abater. Tinha alguns dias de folga do hospital, era quando ela aproveitava e fugia de si mesma, esquecia seus problemas e aproveitava ao máximo seus dias. Enquanto o dia não escurecia, ela não parava de sorrir. Era como se seus lábios estivessem congelados enquanto sorria. Adorava sair com os amigos, ir à praça e sentir o cheiro das árvores, ouvir o canto dos pássaros, e sentir a brisa do vento passando pelos seus cabelos vagamente.
Enfim, teve um dia que foi muito assustador tanto para o médicos quanto para ela e a família. Era um corre-corre pelo hospital inteiro. Sua força havia diminuído. Sua respiração estava mais dificultada. Ela conseguia ouvir os pássaros cantando em sua mente alguma canção de despedida, sentia a brisa do vento passando pelo seu rosto e enxergava uma praia a sua frente. Não estava mais consciente do mundo real, mas adorava quando isso acontecia. Ela viajava para dentro de sua imaginação, e ia para a praia. O lugar predileto dela. Seus pés tocaram na água fazendo-a estremecer pelo frio. Enquanto estava sorrindo dentro dela, dentro de sua imaginação; por fora, havia caído. O sorriso de seu rosto permanecia, e as outras faces dentro do quarto azul do hospital estavam chorando. Alice morreu de leucemia linfóide aguda.

Um comentário:

  1. nossa! ao mesmo tempo triste e lindo, bem o meu estilo de escrever... mas você parece conseguir ser mais séria. Isso tem um fundo de verdade? Parece tão verdadeiro.
    anyway, estou seguindo ;DDD amei!

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Pessoas que não tem borrachas.