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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O horário de visitas acabou



O doente repousa na maca
O outro encosta a mão em seus pés
Não quer sentir os pés gelados
O gelado lembra a morte

Pérfida morte,
Em que esvaindo a alma
As palavras fluem grotescamente
Junto aos eletrogramas

“A família tá bem”
“A tia pegou um resfriado”
“Lá fora chove”
Como se as notícias, ao fim e ao cabo,
Iriam pôr fim naquele silêncio estrondoso.

O horário de visita acabou
Os pensamentos continuam lá
Naquela maca, naquele doente
Nos outros doentes que estavam acordados
Mas aquele estava dormindo,
Continuou dormindo quando
O horário de visitas acabou

Tiram-se as roupas brancas,
Lava-se a mãos,
Secam algumas lágrimas,
Reza-se um terço
Dois
Três
Que Deus faça o que for melhor.

O horário de visitas acabou.
Não o vi mais.

Nunca mais.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Os olhos ardentes





Quando a luz se apaga, aqueles olhos ardentes, que me chamam, me clamam, me amam. Um estreito parapeito de luz batendo no canto da parede, nossos corpos refletindo, nossos sussurros ecoando.


Um sentimento lá fora bate, fora da janela. Impalpável e indelével. 



Dedos em curvas nas costas do outro, a cada elevação de pele, um afago. Os cabelos enrolados, os olhos fechados, os olhos ardentes.


Depois vem o sorriso, aquele sorriso malicioso. Pele nua, a cabeça arcada pelos beijos na nuca. O pedido sem fim de um continuar, um laço frenético ao luar. Os olhos ardentes.

Corpo a corpo, fitando quente.

A calmaria.
O descanso.
Os olhos fechados. Os olhos ardentes. Os olhos ardentes agora pensos.

O gozo.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Verás que a noite te importa.





Verás que a noite te importa,
Que o sol vai embora,
Que a lua se afoga;

Verás que a noite te importa,
Que a flor já não brota,
Que a grama é linda agora;

Verás que a noite te importa,
Pois o sol e a lua desaparecem,
Tanto quanto a flor e a grama escurecem.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Das coisas que não entendo, e amo.



Das suas mãos passeando pelo meu corpo
Dos seus olhos me cuidando a cada passo
Do seu sorriso perto de mim
Dos seus dedos brincando com meus cabelos
Da sua voz cantarolando diversas canções
Das quais ainda ouço mesmo quando você está longe,
Pois mesmo longe, ainda sinto tudo isso em mim.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A cortina fechada.




O sol que chega na manhã cinzenta
traz bem mais do que você pensa,
não cala ao martirizar-se com o dia nublado
pois simplesmente sorri ao estar ao seu lado.

Dois passos levantando-se da cama
se tornam cada vez mais numerosos e rápidos.
Logo fecha a cortina e apaga a chama,
não quer falar e nem olhar para os lados.

Um suspiro, dois, fecha os olhos.
No fechar um estalo,
No estalo uma luz,
Na luz atrás da cortina,
um sol.
E você nem foi espiar para dá-lo bom dia.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A culpa do tempo

17/04/11



Cai a chuva sem parar
Meu coração sente em volta
Mas não sei onde você está
Meus olhos brilham agora.

Diz agora se isso é certo
Vazio, inteiro e o meio
Partilham agora com o vento
Eu só quero você perto

Coloquei os pés no sol
Quando você sorriu para mim
Senti um gosto estranho
Esse beijo não teve fim.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Palavras escondidas pelas estações.




Desfragmentaram as palavras
Como o outono dizendo adeus ao tempo
Não olharam o significado das folhas pintadas
Nem as figuras que diziam o mesmo.

Passaram-se os dias escuros
Ignorando as pausas do vento
Fazendo comentários esdrúxulos
E remoendo contra o tempo.

A luz vinda do poente da primavera
Que ao refletir na neve os olhares se fecharam
Fez-se uma dádiva para quem se venera
E um esconjuro à aqueles que se mascararam.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Larvas




São linhas vazias de pontilhados imensos perdidos no espaço.
São estrelas foscas caminhando na Terra.
São folhas caindo em pleno verão,
em plena estação,
na plena solidão,
dimensionando um coração;
Que ora pulsa,
ora para,
desperta, corre, e dorme.
Olhos dispersos em um bosque perdido na escuridão;
larvas recém nascidas de borboletas transitórias,
que vivem nas vitórias,
que não procuram horas.
Que amam sem pensar, sem pulsar.
Borboletas, linhas e espadas;
Pode ser tudo, pode ser nada;
Pode ser você, pode ser eu.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Ondas





Sob um céu sem fim
minha força viaja alegre.
Em ondas passageiras dizendo sim,
caravanas se distraem fúnebres.

Nossos cabelos não mais secos,
se misturam com o vento
que arrasta nossa face
e em tão pouco tempo, parte.

Sinto o frio chegar
a onda me balançar,
vendo você me beijar.

Nuvens em forma de borboleta
talvez um pássaro, que seja
nos vendo sorrir
com o sol que parte ao florir.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Diretrizes




A coragem se esconde,
Para onde,
Ninguém pode vê-la.
Eu choro por essa distância,
E essa ânsia
De te ver...
Queria te dizer
Muito mais do que te amo.
A minha voz tenta me convencer,
Que não preciso te esquecer.
O meu coração diz,
Que por um triz
Eu te perdi.
A minha cabeça
Fala que eu te esqueça.
Mas eu,
Eu te amo.



ps. fiz esse em 2007..

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Estou cansado.

Estou cansado de olhar nos olhos
Vivo esperando recados novos.
Estou cansado de dizer as mesmas expressões,
Sempre que estou ao seu lado.

Quero viver um nova paixão,
E me desligar dessa ilusão.
Corro mas não alcanço,
Pois meus pés não se movem,
Dessa nuvem cheia de aflição
Eu quero sair agora

Estou cansado de ficar sentado
Deixa a porta aberta pra eu passar.
Estou cansado de ouvir os gritos,
Porque eu prefiro os suspiros.

Estou cansado de sentir o vento
Porque eu sei que ele vem de ti.
Estou cansado de saber que a distância,
Será sempre essa ânsia.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Silêncio, pare de gritar.




Caminho pela casa,
encontro um vão pela rua.
O silêncio me pára,
me faz ser sua.

Quanta delicadeza,
parei ao tocar suas costas.
Nunca senti tanta beleza,
minhas mãos deram voltas.

Nossos olhos se reencontraram
em um feixe de luz que refletia.
Nossos lábios se tocaram
em tão perfeita harmonia.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Abismo








E o sol crescia,
minha vontade já não me ouvia.
Os gritos me deixavam surda
O silêncio me deixava muda.

O medo frio me pertubava,
e num infame momento eu chorei.
Mas logo depois a chuva cessara
Com monstros de insanidade me assustei.

Vida feita de momentos
em que ora espero, ora me desespero.
Olhares ocultos escondidos
Em um abismo profundo e obscuro.

As cores ficaram monótonas
Diante de um fundo preto e branco,
em que meu olhar se perdia.
E mesmo assim nada entendia.

Os passos caminhavam na areia prata.
No meio de tudo, no meio do nada.
Do silêncio escutei seu nome.
Bela passageira como um pássaro,
triste saber que só tive mais um passo. 

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Onde?









Onde foram parar meus olhos cansados
que no sol davam passos avançados?
Onde foram pisar meus pés pesados 
que na chuva corriam sem ter onde parar?
Onde foram meus cabelos
que no vento voavam sem avançar?
Onde foram minhas roupas que lavadas eram loucas?
Onde foram minhas idéias
que gastadas, agora, são poucas?

sábado, 5 de setembro de 2009

Quando amamos alguém, escrevemos cartas, frases, poemas, tudo para mostrar que realmente amamos... Essa semana eu tirei um tempo para relembrar de tudo oque eu tinha no meu quarto, oque eu mais achei foram poemas... Vou postar um aqui.

''A coragem se esconde,
para onde,
ninguém pode vê-la.
Eu choro por essa distância,
e essa ânsia,
de te ver...
Queria te dizer,
muito mais,
do que te amo...
A minha voz tenta me convencer,
que não preciso te esquecer...
O meu coração diz,
que por um triz,
eu te perdi...
A minha cabeça,
fala que eu te esqueça,
mas eu...
EU TE AMO.''