Havia pouco tempo que sentávamos naquela grama, na qual compartilhamos nossos pensamentos do qual trazíamos por hora. Seus braços eram tão seguros e ao mesmo tempo tão frágeis a ponto de um equilíbrio estável de meu sorriso e uma lágrima. Você me abraçava forte como algo a ter que proteger de algum perigo que nos rondava.
- Olha aquela nuvem, o quão perfeita é a forma que traz e a quantidade de brilho existente nela, não é perfeito? – eu disse apontando para uma mancha que havia encontrado no céu.
O dia estava esfriando, mas nós estávamos bastante distraídos para notar nesse pequeno e inútil detalhe que nos havia atingido. Eu não tinha plena certeza de que era você quem eu esperava naqueles sonhos em que eu beijava um garoto e mil céus e estrelas apareciam, mas eu tinha certeza que naquele momento era com você que eu queria estar. Nenhum outro motivo me trazia pra perto de você a não ser o que sentíamos. E sentia, mesmo que o sentir não falasse comigo, eu sentia que aquilo era amor. Você sorriu ao perceber que eu ficara boba com a tal nuvem que havia desmanchado no céu. Eu sorri ao ter a sensação de que seu sorriso, naquele momento, era todo meu. E ter essa sensação, de que algum pedaço seu se tornara meu, me dava calafrios. Não calafrios que me davam medo, mas um calafrio reconfortante, que só eu sentia, e só sentia com você.
- Nossas iniciais têm a mesma letra. Você não acha isso obra do destino? – Eu olhei pra você, pedindo uma resposta convincente.
- O destino não existe. O que existe é um mundo, onde nele as pessoas se olham e conversam. Existe uma ilusão que cada um acredita, existem ações e resultados. O destino não existe. O que existe é o que nos torna frágeis aos nossos olhos quando nos encontramos, algo que nos deixa alegres e ao mesmo tempo inseguros com a partida futura, algo que lutamos pra ter, mas só o acaso luta pra acontecer. E aqui, onde estamos, só o que importa é o nosso amor. E é isso que somente existe. – Você respondeu olhando em meus olhos que viajavam pelo céu claro.
Encontrava em suas palavras algum sinal verde pra me aproximar de você e encostar em seus lábios pra sentir seu gosto e sentir seu perfume mesmo com meus ofegos. Olhei pra você. Seus olhos estavam tão perto dos meus, e eu desejava tanto que esse dia chegasse, e agora estávamos ali, com nossos olhos um perto do outro e o desejo de nossos lábios se encontrarem.
- Sabe, você tem razão. É perfeito. – você disse com completo jeito distraído.
- Do que você esta falando?
Tinha vezes que eu me fazia de desentendida, só pra você ter o trabalho de me explicar e eu ter mais um motivo pra ouvir sua voz. Mas aquele não era o momento. Eu não tinha entendido mesmo o que significava aquilo.
- Seus olhos. Eles são perfeitos, assim como a nuvem. É incomparável a forma que eles têm, e o brilho que sempre existe. Seus olhos refletem a mesma nuvem, a nuvem que desaparece em instantes ao tocar um vento sobre sua forma. – Você pausou sua fala. Suas mãos percorreram meu pescoço e meus cabelos, nossos rostos haviam se aproximado mais ainda de forma que eu podia ouvir sua respiração, os nossos lábios haviam se tocado. – E é inaceitável que eles fiquem por tanto tempo tão longe de mim.

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